Daily Archives: 07/05/2017 9:36 am

A fibra de uma mulher chamada Tereza Marinho

(Damião Lucena)

 

Notícia Triste neste domingo. O falecimento de Tereza Marinho, uma grande mulher que deu muitas alegrias a Patos, mãe dos meus amigos: Luciano e o saudoso Alexandre Traíra. Perde a terra e ganha o céu. O corpo será velado até às 17h, no Velório São Miguel, bairro Belo Horizonte, com sepultamento às 17h no Cemitério São Miguel. Relembrar a história de Tereza Marinho é uma forma de homenageá-la: Tereza Vieira Marinho, uma das mulheres mais festejadas na Paraíba, nasceu aos 13 de setembro de 1932, na Rua do Prado, 252, centro de Patos, filha de Manoel Marinho do Nascimento e Emília Vieira de Oliveira Lira, descendente da ilustre família Oliveira Ledo, desbravadora do Sertão do Estado.

Seu Pai trabalhava em usinas de algodão e sua mãe se encarregava da criação dos filhos, cuja prole contava, além de Tereza, com Antônio, Francisco, Marcos, Socorro (memória), Rosa e Elizabete.

Iniciou sua vida escolar, a partir da Carta de ABC, tendo como mestra a professora Iracema e frequentou vários estabelecimentos de ensino até chegar ao Colégio Cristo Rei. Bastante festeira e dedicando poucos espaços as disciplinas, chegou a passar três anos na primeira série ginasial, optando por se submeter aos exames supletivos de primeiro e segundo graus, em Juazeiro do Norte e, no mesmo ano, se submetendo ao vestibular de Geografia, na Fundação Francisco Mascarenhas.
Como jovem namoradeira e extrovertida, Tereza Marinho sempre foi presença marcante nos eventos da cidade de Patos e participou ativamente de sua vida cultural. Na época junina, por exemplo, ao lado de seu namorado e futuro esposo integrava a dramatização do casamento matuto, promovido por Elvina Caetano, na parte externa da prefeitura, atraindo multidões. O verdadeiro enlace matrimonial aconteceu em 1958, com o jovem José Protásio de Medeiros, mais conhecido por Zé Braz, que trabalhava na Algodoeira Anderson Clayton, depois marcou época como discotecário da Rádio Espinharas e por fim na Saelpa, empresa pela qual chegaria a aposentadoria. A união conjugal resultou o nascimento dos filhos, Luciano e Alexandre.

O primeiro emprego de Tereza Marinho foi como professora do município, conseguido com o prefeito Darcílio Wanderley. Mais tarde, pela amizade que mantinha com Ernani Sátyro, passou a ser secretária do Colégio Pedro Aleixo, até que, em 1979, por intermédio da esposa do reitor Linaldo Cavalcante, passou a integrar o quadro funcional da Universidade Federal da Paraíba, Campus VII – Patos, no qual chegou a se aposentar.

A grande marca de Tereza Marinho é sua característica solidária, através da qual conseguiu instalar, em 1983, uma unidade da LBA, na cidade de Patos, com o apoio da Dra. Geralda Freire e do então prefeito Rivaldo Medeiros, época em que se tornou amiga da presidente de honra da entidade, Marly Sarney, com a qual esteve por diversas vezes em Brasília, carreando ajudas materiais para o amparo as comunidades carentes. Em 1988, influenciada por Cristina Brasil – presidente da APAE em João Pessoa, coordenou à fundação de uma Unidade da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais em Patos. É também sócia fundadora da ADESG – Associação dos Diplomados na Escola Superior de Guerra.

Tereza Marinho teve participação ativa na Política de Patos, chegando a disputar uma eleição na condição de candidata à vice-prefeita pelo PDT e mais tarde postulando uma vaga de vereadora. Sempre acompanhou a trajetória eletiva do primo Divaldo Suruagy, no Estado de Alagoas. Amiga da Família Real no Brasil, frequenta, em ocasiões especiais, as homenagens a Dom Orlean e Bragança, no Rio de Janeiro.
Seguindo o tino artístico de Tereza Marinho, Alexandre, o filho mais novo, se dedicou as artes, como músico e artesão, sem optar por grandes empreendimentos ou se desprender, totalmente, do cordão umbilical. Por ironia do destino, faleceu de morte natural, no dia 13 de setembro de 2009, exatamente, na data do aniversário da mãe. Luciano, o mais velho, integra o serviço público e, na condição de agente cultural, tem promovido eventos importantes em Patos e na Paraíba.

De bem consigo, driblando as adversidades, a viúva Tereza Marinho, vinha dando exemplo de superação e não se deixava abater pelas adversidades. Detentora de grande prestígio na Paraíba, presença constante nos eventos sociais de João Pessoa, Campina Grande e, principalmente, Patos, onde teve participação efetiva nas lutas por ações de desenvolvimento, ela nos deixou na manhã deste domingo, no Hospital regional de Patos, onde estava internada nos últimos dias com problemas cardiorespiratórios. Vão-se os grandes nomes e perpetuam-se os grandes exemplos.