Previdência dificultará acesso a auxílio-doença

By | 09/07/2016 4:10 pm

(Veja comentário no final)

Diante do rombo nas contas públicas, o governo decidiu fechar os ralos da Previdência Social e anunciou ontem três medidas para restringir os gastos. A principal mudança pretende dificultar o acesso a benefícios como auxílio-doença e aposentadoria por invalidez. Com ela, o governo espera uma economia de R$ 6,3 bilhões por ano aos cofres públicos. O deficit do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é estimado em R$ 146 bilhões este ano e em R$ 183 bilhões em 2017.

O assessor especial da Casa Civil Marcelo de Siqueira explicou que a primeira medida será um pente-fino nos benefícios de auxílio-doença e invalidez que são recebidos por períodos prolongados. Há mais de 3 milhões de auxílios mantidos pelo INSS a um custo médio mensal de R$ 3,6 bilhões. A autarquia deveria revisá-los a cada dois anos, mas não o faz. “Quem recupera a capacidade deve retornar ao mercado. A lógica é fazer revisão para manter só quem estiver nessa condição”, disse.

Para acelerar as revisões, o governo vai conceder um bônus de eficiência aos peritos. Siqueira anunciou que há quase 840 mil beneficiários de auxílio-doença por mais de dois anos e a potencial economia é de R$ 4 bilhões. Outros R$ 2,3 bilhões viriam das aposentadorias por invalidez. “Na primeira medida, a estimativa que facilmente será superada é de reversão de 30% dos benefícios. Em relação à aposentadoria, a projeção é reverter 5%”, detalhou.

O secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, Alberto Beltrame, disse que a preocupação central do governo é buscar eficiência para que os benefícios cheguem “nas mãos corretas”. Ele anunciou a ampliação da capacidade operacional do INSS. “Vamos acrescentar em torno de 100 mil perícias para as revisões”, calculou.

Para José Matias-Pereira, professor de administração pública da Universidade de Brasília (UnB), a medida pretende corrigir eventuais desvios e falhas nas concessões dos benefícios. “É preciso dar eficiência aos recursos públicos. Fazer com que o estado atenda os segmentos que efetivamente precisam e identificar as pessoas que não se enquadram nesses parâmetros”, alertou.

Renato Follador, consultor em previdência social, pública e privada, concordou com a eficácia da proposta do governo. “Quando há um problema grave de deficit é correto buscar combater fraudes e excessos através da melhoria da gestão”, opinou. “Essas medidas, que estão sendo tomadas pontualmente agora, deveriam ser uma auditoria permanente”, emendou.

O especialista alertou que o governo vai restringir o acesso ao auxílio-doença por pessoas que já receberam o benefício, mas voltaram a contribuir ao INSS. “A regra que permite uma carência de apenas quatro meses para o segurado voltar a receber será revogada”, explicou. Para Follador, é preciso estimular especialmente os autônomos a permanecerem no sistema e não solicitarem o retorno apenas quando estão acometidos por uma doença. “As regras precisam ser mais rígidas”, defendeu.

Matias-Pereira destacou que a intenção do governo é buscar mais eficiência nos gastos públicos e evitar desperdícios. “Numa economia em recessão, criar mais impostos é o caminho mais rápido, mas deve ser a última alternativa. Mas primeiro é preciso ter controle da máquina pública”, ressaltou.

O pacote do governo também prevê mudanças na inscrição do chamado Cadastro Único do INSS. O objetivo é confrontar as informações com os demais programas. O benefício assistencial, no valor de um salário mínimo, é destinado a idosos (acima de 65 anos) ou pessoas com deficiência cuja renda familiar per capita não seja superior a um quarto de salário mínimo.

(Correio Braziliense)

Comentário do programa – No lugar de dificultar que os trabalhadores tirem os benefícios, o Governo deveria fiscalizar e punir os que fraudam a previdência. Seja deixando de recolher as contribuições, seja usufruindo benefícios a que não teriam direito. (LGLM)

Category: Nacionais

About Luiz Gonzaga Lima de Morais

Formado em Jornalismo pelo Universidade Católica de Pernambuco, em 1978, e em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1989. Faz radiojornalismo desde 09 de março de 1980, com um programa semanal na Rádio Espinharas FM 97.9 MHz (antiga AM 1400 KHz), na cidade de Patos (PB), a REVISTA DA SEMANA. Manteve, de 2015 a 2017, na TV Sol, canal fechado de televisão na cidade de Patos, que faz parte do conteúdo da televisão por assinatura da Sol TV, o SALA DE CONVERSA, um programa de entrevistas e debates. As entrevistas podem ser vistas no site www.revistadasemana.com, menu SALA DE CONVERSA. Bancário aposentado do Banco do Brasil e Auditor Fiscal do Trabalho aposentado.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *