Os militares sempre criticam e até desprezavam o capitão insubordinado, chamado de “mau militar” pelo general Ernesto Geisel

Por mais aterrorizantes que sejam o planejamento e os passos concretos para assassinar o presidente e o vice-presidente legitimamente eleitos e o presidente do TSE, ninguém diga que foi surpresa. Bolsonaro não foi apenas flagrado no início da carreira militar, até com um croqui para explodir prédios do Exército, como passou toda a sua vida política ameaçando a democracia e as autoridades e poderes constituídos.

Num programa de TV, na década de 1990, chegou a defender claramente, sem nenhum pudor, o fechamento do Congresso, a deflagração de uma guerra civil e o assassinato do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Se pregava a morte de FHC, qual a surpresa de, no mínimo, saber do plano para matar Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes? Uma vez golpista, sempre golpista. E foi para isso, e não para governar, que Bolsonaro tragou grupos específicos: militares, policiais, evangélicos, agronegócio. E dominou PF, Abin, Receita…
Ao se tornar o primeiro e mais estridente apoiador da candidatura Bolsonaro a presidente nas Forças Armadas, o general Augusto Heleno, tríplice coroado no Exército (primeiro de turma nos principais cursos do oficialato), me telefonou: “Você está sendo muito dura com o Bolsonaro, ele não é assim como você pensa”. Ao que respondi: “Tudo o que sei dele foram vocês (militares) que me disseram”. Ou seja: os militares sempre criticam e até desprezavam o capitão insubordinado, chamado de “mau militar” pelo general Ernesto Geisel.