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(Luiz Gonzaga Lima de Morais, jornalista e advogado, publicado no Notícias da Manhã, da Espinharas FM, em 04/12//2024.
O jornalista Marcelo Negreiros tocava semana passada numa questão dolorosa para a nossa cidade. Como somos ingratos com os nossos filhos. E filhos aqui consideramos tanto aqueles que nasceram na nossa cidade como aqueles que a adotaram e que delas se fizeram filhos. Inúmeras figuras que muito fizeram por nossa cidade nunca receberam como homenagem um simples nome de rua ou deram nome a uma obra qualquer. E o pior, figuras pouco signficantes receberam homenagens demais, contribuindo até para desomenagear a quem merecia mais do que eles.
A questão foi levantada por conta do falecimento recente do empresário Gerlando Primo. Gerlando foi uma pessoa que. sem títulos acadêmicos ou cargos publicos, ficou na lembrança dos mais antigos pelo que representou na nossa cidade. Filho adotivo de Patos, pois oriundo da simpática cidade de Santana de Garrotes, lá no vale do Piancó, chegou a Patos com a família encabeçada pelo empresário José de Araújo Primo, com sua esposa dona Homerinda (Mezinha para os de casa), e os filhos Magela, ele, Gilmar e Giusepe. A caçula, Lúcia, já nasceu em Patos. Com o irmão Miguel, Zé Primo abriu um armazém de secos e molhados, ao lado do Mercado Público. Com o progresso nos negócios, Gerlando e Giusepe se empolgaram e convenceram o pai a adquirir o Supermercado Servebem, pertecente a um empresário campinense.
Como o novo negócio exigia um capital mais avultado mas o grupo tinha crédito suficiente, contraiu um empréstimo junto ao Banco do Brasil, para assumir o novo compromisso. E com o bom relacionamento e as amizades que tinham na cidade o agora Supermercado Primo cresceu e o grupo se empolgou e depois de alguns anos resolveu demandar um mercado melhor, tendo aberto um novo estabelecimento, em João Pessoa, justamente na Beira-Rio. Dali cresceu e chegou, no auge, a ter dez filiais na capital, sob a direção a estas alturas dos irmãos Gerlando e Giusepe, além da participação dos demais irmãos. Infelizmente, mais adiante, problemas administrativos devidos acreditamos ao seu rápido crescimento, a nosso ver, terminaram inviabilizando o negócio, que terminou fechando.
Embora, no seu crescimento na capital, o grupo tenha dado muitas oportunidades de trabalho a muitos patoenses, inclusive em cargos de gerência, foi no seu período patoense, que Gerlando se sobressaiu como amante da cidade. Além das inúmeras oportunidades de trabalho que proporcionou em Patos, Gerlando, nunca deixou de ajudar a quem precisasse de uma oportunidade ou de um ajuda, de crédito para quem estava precisando iniciar um pequeno negócio ou de contribuir para qualquer coisa que se fizesse em benefício da cidade. Inclusive era um grande colaborador dos esportes de nossa cidade. Sempre respaldado pelo mano Giusepe, transformou-se num dos grandes benfeitores da cidade.
Por isso a estranheza do jornalista Marcelo Negreiros pela falta de manifestação na cidade, quando do recente falecimento de Gerlando. Pouca gente na imprensa registrou sua morte e nenhuma autoridade manifestou seu reconhecimento pelo bem que Gerlando promoveu na cidade, seja como empreendedor, seja como colaborador de quanto evento aqui se realizadou durante o tempo em que permanceu em Patos e mesmo depois que daqui se deslocou para a capital, quando continuou a nos beneficiar de todo modo possível.
Mas Gerlando não é o único a ser injustiçado pela nossa cidade. Muitos outros benfeitores nossos continuam a ser injustiçados. Vereador só se interessa em homenagear quem lhe pode render votos ou pagar por um título de cidadão ou por um nome de rua para um familiar. E prefeito dá prioridade a homenagear parentes ou amigos, mesmo que poucas homenagens mereça.