A contadora Clair Leitão desistiu da disputa para conselheira do TCE-PB, alegando dificuldades no processo.
Publicado em 14/03/2025 às 19:22

Candidata a vaga de conselheira do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba, a contadora Clair Leitão, anunciou na noite desta sexta-feira (14) que desistiu da disputa por não conseguir as assinaturas mínimas necessárias para a inscrição.
“Além disso, ficou claro para mim que esse é um sistema fechado, onde poucos se comprometem, e que ainda temos um longo caminho a percorrer para garantir mais transparência e participação social nesses processos”, declarou a candidata.
Filha de Adriano Galdino deve ser candidata única
As inscrições tiveram início na segunda-feira e o prazo termina às 23h59 desta sexta-feira. A tendência é que seja oficializada a candidatura única de Alanna Camila Santos Galdino Vieira, filha do presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (Republicanos).
Confira a nota de Clair Leitão na íntegra:
Meus amigos e amigas, venho aqui compartilhar com vocês o desfecho da minha candidatura ao cargo de conselheira do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba. Infelizmente, não consegui reunir as assinaturas necessárias para seguir na disputa. O prazo extremamente curto de apenas cinco dias úteis e o número elevado de assinaturas exigidas tornaram esse desafio praticamente intransponível. Além disso, ficou claro para mim que esse é um sistema fechado, onde poucos se comprometem, e que ainda temos um longo caminho a percorrer para garantir mais transparência e participação social nesses processos.
No entanto, a luta valeu a pena. A disputa não aconteceu, mas a minha mensagem foi levada adiante. Agradeço imensamente a todos que tiveram a coragem de assinar minha lista. A sociedade não esquecerá esses gestos de compromisso e apoio. Meu agradecimento também à sociedade civil e à imprensa livre, que acompanharam esse processo e contribuíram para que essa luta fosse amplamente divulgada e compreendida.
Entendo que essa vaga era da Assembleia, mas a Constituição garante que qualquer cidadão que preencha os requisitos possa concorrer. E eu preencho todos eles. Sempre defendi e continuarei defendendo os princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência – a sigla LIMPE, que tanto menciono em minhas palestras.
O que fica dessa experiência é uma grande lição. Fiz história pela coragem e pela ousadia de tentar abrir um caminho que muitos sequer ousam trilhar. A minha luta não termina. Vou continuar defendendo os espaços que nos pertencem. Muito obrigada a todos pelo apoio e seguimos firmes! Eu acredito nos paraibanos, eu não desisti e ainda estou aqui.
Comentário nosso – O que deveria ser uma decisão da Assembléia Legislativa, foi uma decisão da “cozinha” (apesar de usar o espaço de um restaurante) de Adriano Galdino. Duvido que a filha do presidente da Assembléia tenha o preparo técnico, a capacidade e experiência profissional de uma Clair Leitão. Mas estava “escrito das estrelas”, Adriano Galdino escolheria quem ele bem quisesse. É tanto que nenhum deputado (Tião Gomes e Taciano Diniz, pretendiam disputar) insistiu nas suas pretensões. Ainda bem que dois ou três deputados demonstraram um mínimo de independência e não embarcaram na comédia que encenaram o restante dos seus colegas. Vamos tentar apurar os nomes dos que não assinaram a indicação imposta por Adriano Galdino.
PS. Segundo o jornalista Anderson Soares, somente dois deputados não subscreceram a indicação da filha de Adriano Galdino para a vaga do TCE/PB: Wallber Virgolino (PL) e Hervázio Bezerra (PSB). (LGLM)