Bolsonaro é aconselhado a se “refugiar” na embaixada dos EUA

By | 19/03/2025 8:12 am

Alvo de ação no STF que pode levá-lo à prisão, Jair Bolsonaro foi aconselhado a se “refugiar” na embaixada dos Estados Unidos no Brasil

 

(Paulo Cappelli, no Metrópoles, em 

Bolsonaro Embaixada EUA

Jair Bolsonaro foi aconselhado a se “refugiar” na embaixada dos Estados Unidos no Brasil, em Brasília. O conselho foi dado pelo comunicador Rodrigo Constantino, que atuou na Jovem Pan e atualmente vive no exterior após obter a cidadania norte-americana.

Os atritos do governo Trump com o ministro Alexandre de Moraes (STF), relator do inquérito que mira o ex-presidente, também ajudariam os Estados Unidos a reconhecerem o status de refugiado político a Bolsonaro.

Procurado pela coluna, contudo, Bolsonaro disse descartar a possibilidade: “Não vou para a embaixada nem lugar algum. Eu vou ficar em casa”.

Embaixadas

Caso peça asilo diplomático aos Estados Unidos, Bolsonaro estariq sujeito às regras que valem para todo o planeta. A concessão de asilo diplomático em território ou em embaixadas estrangeiras está prevista no Estatuto dos Refugiados da Organização das Nações Unidas (ONU), estabelecido na Convenção de Viena em 1951. O Brasil e os Estados Unidos são signatários do tratado, que estabelece os critérios para a concessão do refúgio por um país estrangeiro.

As normas para a concessão do asilo diplomático têm como base os princípios da Declaração dos Direitos Humanos de 1948, segundo a qual todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. Por consequência, qualquer um que seja perseguido em seu território por delitos políticos, convicções religiosas ou situações raciais tem assegurado o direito de buscar asilo.

O interessado deve solicitar o benefício ao país estrangeiro, que avaliará caso a caso o pedido de proteção e classificará a natureza dos delitos ou dos motivos da alegada perseguição. No Brasil, a análise dos pedidos de asilo pode se estender por até um ano.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) também dispõe de um tratado para a concessão de asilo diplomático. A convenção da OEA afirma que “não é lícito conceder asilo a pessoas que, na ocasião em que o solicitem, tenham sido acusadas de delitos comuns, processadas ou condenadas por esse motivo pelos tribunais ordinários competentes, sem haverem cumprido as penas respectivas”.

Além das embaixadas, o tratado também considera como territórios os navios de guerra, acampamentos e aeronaves militares. Essas estruturas são consideradas invioláveis pela Convenção de Viena de 1961. No caso das embaixadas, o país que concede o asilo diplomático pode garantir ao asilado sua saída do território onde ele sofre perseguição. O governo territorial, assim, deve conceder um salvo-conduto para que o asilado seja transportado até o limite de suas fronteiras.

“O Estado asilante pode exigir que as garantias sejam dadas por escrito e tomar em consideração, para a rapidez da viagem, as condições reais de perigo apresentadas para a saída do asilado. Ao Estado asilante cabe o direito de conduzir o asilado para fora do país. O Estado territorial pode escolher o itinerário preferido para a saída do asilado, sem que isso implique determinar o país de destino. Se o asilo se verificar a bordo de navio de guerra ou aeronave militar, a saída pode se efetuar nos mesmos, devendo, porém, ser previamente preenchido o requisito da obtenção do salvo-conduto”, afirma o artigo XIII da convenção da OEA.

Outros pedidos

Em 2024, após ser indiciado por golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa, e ter seu passaporte apreendido, Jair Bolsonaro chegou a ficar asilado por 48 horas na embaixada da Hungria, país governado por Viktor Orban, político da extrema-direita.

Outro caso de pedido de asilo por políticos brasileiros aconteceu em 2021. Depois de ter sua prisão decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o então deputado Daniel Silveira pediu proteção a três governos europeus e um asiático, não revelados pela sua defesa. Todos os pedidos foram negados.

Um caso famoso de asilo diplomático em embaixadas estrangeiras é o do criador do Wikileaks, Julian Assange. O jornalista e ativista australiano permaneceu por 7 anos na embaixada do Equador em Londres e foi preso em 2019. Assange teve sua deportação para os Estados Unidos aprovada pelas autoridades britânicas em 2023. Ele deverá ser julgado pelos crimes de espionagem e vazamento de documentos secretos das Forças Armadas americanas.

Category: Blog

About Luiz Gonzaga Lima de Morais

Formado em Jornalismo pelo Universidade Católica de Pernambuco, em 1978, e em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1989. Faz radiojornalismo desde 09 de março de 1980, com um programa semanal na Rádio Espinharas FM 97.9 MHz (antiga AM 1400 KHz), na cidade de Patos (PB), a REVISTA DA SEMANA. Manteve, de 2015 a 2017, na TV Sol, canal fechado de televisão na cidade de Patos, que faz parte do conteúdo da televisão por assinatura da Sol TV, o SALA DE CONVERSA, um programa de entrevistas e debates. As entrevistas podem ser vistas no site www.revistadasemana.com, menu SALA DE CONVERSA. Bancário aposentado do Banco do Brasil e Auditor Fiscal do Trabalho aposentado.

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