A baixa credibilidade das UPAS

By | 21/03/2025 7:00 am

(Luiz Gonzaga Lima de Morais, jornalista e advogado, em 21/03/2025)

Ouça o áudio:

 

Reproduzimos o que diz o site do Ministério da Saúde, sobre as UPAs: “A Unidade de Pronto Atendimento – UPA 24h é um dos componentes da Política Nacional de Atenção às Urgências do Ministério da Saúde, e integra a rede de serviços pré-hospitalares fixos para o atendimento às urgências.

Presta atendimento resolutivo e qualificado a pacientes com condições clínicas graves e não graves, além de prestar o primeiro atendimento a casos cirúrgicos e traumáticos, estabilizando os pacientes e conduzindo a avaliação diagnóstica inicial para determinar a conduta adequada, garantindo o encaminhamento dos pacientes que necessitam de tratamento em outras unidades de referência.

 A UPA 24h opera ininterruptamente, 24 horas por dia, todos os dias da semana, com uma equipe multiprofissional qualificada e adaptada às demandas específicas de cada região, encaminhando os pacientes para internação em hospitais de retaguarda, garantindo a continuidade do cuidado por meio da regulação do acesso assistencial.

O componente concentra os atendimentos de saúde de complexidade intermediária, integrando-se com a atenção básica, hospitalar, domiciliar e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU 192, formando uma rede de assistência organizada e integrada.”

Primeira observação: a UPA “deve fazer o atendimento de saúde de complexidade intermediária” , pressupondo portanto um atendimento primário nos postos médicos”.

Segunda observação: a UPA deve ser dotada de “uma equipe multiprofissional qualificada e adaptada às demandas específicas de cada região, encaminhando os pacientes para internação em hospitais de retaguarda, garantindo a continuidade do cuidado por meio da regulação do acesso assistencial”.

Terceira observação:  a UPA “integra a rede de serviços pré-hospitalares fixos para o atendimento às urgências”.

Pelas informações e as reclamações que temos ouvido a destinação da UPA não tem sido compreendida pela população nem utilizada como devia pela administração municipal. Se os médicos vão atender urgências e emergências devem ter um mínimo de capacitação para isso e a reclamação que a maioria dos médicos utilizado pela administração é de médicos recém formados, estagiários ou residentes, que ainda estão em formação prática.

Outro dia, um parente meu foi atendido pelo SAMU e quando disseram que iam levá-lo para a UPA ele se recusou alegando que não ia para a UPA pois o médico ia lhe prescrever uma DIPIRONA e para isso ele não precisava de médico. Infelizmente esta é a imagem que têm as nossas UPAs.

Claro que o município não tem condições de manter só especialistas na triagem de urgências e emergências, mas deveria ter pelo menos, um médico bastante experiente, em cada plantão. Que os pacientes que não careçam de atendimento de urgência e emergência sejam direcionados para os postos médicos da sua comunidade, ou para aqueles de referência em cada zona, para atendimento as vinte e quatro horas, se é que existe isto em nossa cidade. Sabemos de alguns de atendimento durante parte da noite, mas nenhum funcionando durante vinte e quatro horas.

Em outras palavras, a UPA deve funcionar como uma porta de entrada para os hospitais públicos ou particulares, não como um simples consultório médico, função a que se destinam os PSFs.

Reconhecemos a importância da presença das duas UPAs na nossa cidade, mas a nosso ver, está faltando melhorar o nível de atendimento, mesmo que não consiga a excelência,  e que nem se vá deixar a comunidade sem assistência, nem se vá provocar congestionamento no Hospital Regional ou nos estabelecimentos particulares.  Se, por acaso, a população está mal informada sobre a destinação das UPAs, cabe à administração municipal, longe dos interesses eleitoreiros, orientá-la sobre a real destinação delas, através de campanhas educativas e publicidade oficial. Deixar a população na ignorância pode ter o seu charme eleitoreiro, mas só vai precarizar o atendimento das UPAs. (LGLM)

Category: Opinião

About Luiz Gonzaga Lima de Morais

Formado em Jornalismo pelo Universidade Católica de Pernambuco, em 1978, e em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1989. Faz radiojornalismo desde 09 de março de 1980, com um programa semanal na Rádio Espinharas FM 97.9 MHz (antiga AM 1400 KHz), na cidade de Patos (PB), a REVISTA DA SEMANA. Manteve, de 2015 a 2017, na TV Sol, canal fechado de televisão na cidade de Patos, que faz parte do conteúdo da televisão por assinatura da Sol TV, o SALA DE CONVERSA, um programa de entrevistas e debates. As entrevistas podem ser vistas no site www.revistadasemana.com, menu SALA DE CONVERSA. Bancário aposentado do Banco do Brasil e Auditor Fiscal do Trabalho aposentado.

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