Como vai ser o julgamento sobre a denúncia de Bolsonaro na 1ª Turma do STF? Entenda em 9 pontos

By | 25/03/2025 6:56 am

Colegiado da Corte vai decidir se ex-presidente e outros sete denunciados sentarão no banco dos réus por crimes envolvendo suposta trama golpista. Veja vídeo

(Karina Ferreira, no Estadão, em 24/03/2025)

Cinco ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) começam a decidir nesta terça-feira, 25, se o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete denunciados por supostamente tramar um golpe de Estado em 2022 vão sentar no banco dos réus.

Como vai ser o julgamento sobre a denúncia de Bolsonaro na Primeira Turma do STF?

Ex-presidente, militares de alta patente e deputado são denunciados por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022

A defesa de Bolsonaro e de outros denunciados tentou afastar os ministros Alexandre de MoraesCristiano Zanin e Flávio Dino da análise da denúncia, mas a Corte manteve os julgadores da ação.

O que será julgado?

A Primeira Turma do STF vai decidir se aceita a denúncia contra oito pessoas por supostamente planejarem uma tentativa de golpe de Estado em 2022, incluindo o ex-presidente Bolsonaro, apontado como peça-central da trama. Caso aceite, eles se tornam réus e responderão a processo penal.

Quem poderá se tornar réu?

Já a PGR fatiou a denúncia em cinco grupos. Fazem parte do primeiro, além de Bolsonaro, o ex-ajudante de ordens que delatou este e outros casos, Mauro Cid, e outros seis militares de alta patente e ex-integrantes do governo de Bolsonaro.

  1. Jair Bolsonaro – ex-presidente da República;
  2. Walter Braga Netto – general da reserva do Exército, ex-ministro e vice de Bolsonaro nas eleições de 2022;
  3. Augusto Heleno – general da reserva do Exército e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
  4. Alexandre Ramagem – deputado federal pelo PL do Rio e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
  5. Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
  6. Almir Garnier – almirante-de-esquadra e ex-comandante da Marinha;
  7. Paulo Sérgio Nogueira – general do Exército e ex-ministro da Defesa;
  8. Mauro Cid – tenente-coronel do Exército e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, além de delator.

Quanto tempo pode durar o julgamento?

O julgamento começa nesta terça-feira, 25 de março, às 9h30. Outras duas sessões também foram reservadas para o julgamento: mais uma no mesmo dia, às 14h, e outra para o dia seguinte, quarta-feira, 26, com início às 9h30.

Onde ocorre o julgamento?

O julgamento será presencial, na sala de sessões da Primeira Turma, no STF, em Brasília.

Jair Bolsonaro, ex-presidente, pode se tornar réu por tentativa de golpe de Estado
Jair Bolsonaro, ex-presidente, pode se tornar réu por tentativa de golpe de Estado Foto: Wilton Junior/Estadão

O que é Primeira Turma e quem são seus ministros?

Os ministros da Corte são divididos em dois colegiados, de cinco magistrados cada. Cada grupo é chamado de “Turma”, e tem a o objetivo de “desafogar” o plenário do STF. Para isso, elas julgam parte das ações que chegam ao tribunal.

O presidente do STF não participa dos colegiados, que contam com presidentes próprios. A Primeira Turma é composta pelo relator da denúncia contra Bolsonaro, Alexandre de Moraes, e os ministros Flávio DinoCármen Lúcia e Luiz Fux, além de Cristiano Zanin, presidente do grupo.

Qual é a ordem de pronunciamento na sessão?

Seguindo o rito previsto no regimento interno da Corte, o presidente da Turma abrirá a sessão, no caso, Zanin. Após a leitura do relatório pelo relator, Alexandre de Moraes, a PGR tem 30 minutos para falar, e as defesas dos denunciados, 15 minutos cada.

Na sequência, os ministros passam a votar, e a ordem obedece o seguinte esquema: Moraes, por ser o relator, seguido de Dino, Fux e Cármen, de quem tem menos para mais tempo na Corte, e por último o voto do presidente, Zanin.

A votação ocorrerá primeiro sobre as preliminares e, depois, sobre o mérito da denúncia – para definição sobre o recebimento ou não. A ordem será a mesma descrita anteriormente.

Qual é a ordem de pronunciamento das defesas?

Os pronunciamentos dos advogados ocorrem após a fala da PGR, que oferece a denúncia. A defesa de cada um dos oito réus terá 15 minutos cada para a sustentação oral. A ordem é definida pelo presidente, Zanin, e será por ordem alfabética dos denunciados.

Pelos inscritos até a noite desta segunda-feira, 24, falarão os advogados: Paulo Renato Garcia Cintra Pinto, representante de Alexandre Ramagem; Demóstenes Torres, de Almir Garnier; Eumar Roberto Novacki, de Anderson Torres; Celso Vilardi, de Jair Bolsonaro; Andrew Fernandes Farias, de Paulo Sérgio Nogueira; e José Luis Mendes de Oliveira Lima, de Walter Braga Netto.

O que ocorre depois?

Caso os ministros rejeitem a denúncia, o caso será arquivado e Bolsonaro não irá a julgamento. Se a denúncia for aceita, o ex-presidente se torna réu e responderá a uma ação penal.

A partir daí, o caso passa pela fase de instrução processual, em que as provas, tais como depoimentos, interrogatórios e dados, são colhidas. Essas diligências vão apurar a procedência ou improcedência dos fatos imputados aos réus. Após esse trabalho, o caso está pronto para, de fato, ser julgado pelo plenário da Corte, e a data do julgamento pode ser marcada.

Um acusado pode se tornar réu e outro não?

Na teoria, sim, a denúncia pode ser parcialmente aceita e, eventualmente, excluir indiciados do seguimento penal.

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About Luiz Gonzaga Lima de Morais

Formado em Jornalismo pelo Universidade Católica de Pernambuco, em 1978, e em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1989. Faz radiojornalismo desde 09 de março de 1980, com um programa semanal na Rádio Espinharas FM 97.9 MHz (antiga AM 1400 KHz), na cidade de Patos (PB), a REVISTA DA SEMANA. Manteve, de 2015 a 2017, na TV Sol, canal fechado de televisão na cidade de Patos, que faz parte do conteúdo da televisão por assinatura da Sol TV, o SALA DE CONVERSA, um programa de entrevistas e debates. As entrevistas podem ser vistas no site www.revistadasemana.com, menu SALA DE CONVERSA. Bancário aposentado do Banco do Brasil e Auditor Fiscal do Trabalho aposentado.

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